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21.12.11

A Amazônia morre e os jornais não veem

"Nos últimos dias, dados preliminares de desmatamento da região foram anunciados como 'boa notícia' ao mostrar que a destruição reduziu velocidade. Segundo o Inpe, o desmatamento acumulado das áreas ocupadas por floresta em 1988 é de 18% (ou seja, quase 1/5 da maior floresta do mundo sumiu em 23 anos)! A segunda questão é mais dramática: a cada hectare inteiramente desmatado, outro sofre degradação irreversível. Ou seja, em 23 anos, o processo de destruição da floresta (desmatamento total e degradação grave) já amputou cerca de 35% da floresta, aproximando-se da previsão, que parecia apocalíptica nos anos 1980, de que a floresta amazônica poderia desaparecer em 50 anos. Assim, de 'boa notícia' em 'boa notícia', a floresta morre", artigo de Leão Serva - FSP, 20/12, Tendências/Debates, p.A3. 
Save the planet!

2.11.11

Belo Monte, nosso dinheiro e o bigode do Sarney*

Foto: Verena Glass/Xingu Vivo para Sempre

* Entrevista concedida à jornalista Eliane Brum, da revista Época.

Eliane fala tão bem no parágrafo abaixo que não preciso usar minhas próprias palavras neste caso. Me atenho a uma única frase: "em nome do combate à desinformação e às mentiras do governo Lula/Dilma em relação a Belo Monte, uma obra absolutamente desnecessária".


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Se você é aquele tipo de leitor que acha que Belo Monte vai “afetar apenas um punhado de índios”, esta entrevista é para você. Talvez você descubra que a megaobra vai afetar diretamente o seu bolso. Se você é aquele tipo de leitor que acredita que os acontecimentos na Amazônia não lhe dizem respeito, esta entrevista é para você. Para que possa entender que o que acontece lá, repercute aqui – e vice-versa. Se você é aquele tipo de leitor que defende a construção do maior número de usinas hidrelétricas já porque acredita piamente que, se isso não acontecer, vai ficar sem luz em casa para assistir à novela das oito, esta entrevista é para você. Com alguma sorte, você pode perceber que o buraco é mais embaixo e que você tem consumido propaganda subliminar, além de bens de consumo. Se você é aquele tipo de leitor que compreende os impactos socioambientais de uma obra desse porte, mas gostaria de entender melhor o que está em jogo de fato e quais são as alternativas, esta entrevista também é para você.
Como tenho escrito com frequência sobre a megausina hidrelétrica de Belo Monte, por considerar que é uma das questões mais relevantes do país no momento, observo com atenção as manifestações dos leitores que comentam neste espaço ou em redes sociais como o Twitter. Anotei as principais dúvidas para incluí-las aqui e assim colaborar com o debate.
Desta vez, propus uma conversa sobre Belo Monte a Célio Bermann, um dos mais respeitados especialistas do país na área energética. Bermann é professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Unicamp. Publicou vários livros, entre eles: “Energia no Brasil: Para quê? Para quem? – Crise e Alternativas para um País Sustentável” (Livraria da Física) e “As Novas Energias no Brasil: Dilemas da Inclusão Social e Programas de Governo” (Fase). Ex-petista, ele participou dos debates da área energética e ambiental para a elaboração do programa de Lula na campanha de 2002 e foi assessor de Dilma Rousseff entre 2003 e 2004, no Ministério de Minas e Energia. Célio Bermann foi também um dos 40 cientistas a se debruçar sobre Belo Monte para construir um painel que, infelizmente, foi ignorado pelo governo federal.
Clique aqui pra continuar a leitura.
Save the planet!

22.2.11

belo monte, bndes e falta de educação

Olás!
Bom, muita coisa acontecendo, mal sei por onde começar. 
Nosso governo ditador disfarçado de democracia continua fazendo o possível para enfiar Belo Monte goela abaixo da sociedade brasileira. Devo ressaltar, aqui, o quanto me sinto orgulhosa de certos brasileiros que se uniram via redes sociais para protestar contra esta usina. Achei lindo pessoas indo para as ruas, mesmo que poucas elas foram, colocaram nariz de palhaço em frente ao BNDES em várias capitais, foram protestos em Sampa (em frente ao Masp), em Brasília, no Rio..."uma minoria", como afirma Tolmasquim, mas devo acrescentar dizendo que uma minoria INFORMADA porque quem tem consciência de todos os perigos que Belo Monte representa fez sua parte, de alguma forma: ou conversando com amigos, levando o tema às escolas, ou protestando por aí. Quem se informa, se indigna - a não ser que tenha a mesma visão desenvolvimentista do governo, aquela de passar por cima de leis, de princípios, da ciência, da economia, em nome do lucro imediato, pouco se importando com irreversíveis conseqüências sociais, ambientais e econômicas.
Seguem algumas matérias a respeito, para quem quiser se informar melhor:
http://www.xinguvivo.org.br/2011/01/27/belo-monte-nao-e-um-problema-ambiental-e-tecnico-politico-e-juridico/


http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/sergio-abranches/SERGIO-ABRANCHES.htm


http://www.oeco.com.br/reportagens/24783-indigenas-vao-ao-planalto-contra-belo-monte-


http://www.oeco.com.br/salada-verde/24775-protestos-contra-belo-monte-em-torno-do-pais


http://www.oecoamazonia.com/br/artigos/9-artigos/147-para-governo-brasileiro-pequena-minoria-reclama-de-belo-monte


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Democracia, legitimidade e BNDES 
"Os cidadãos sinalizaram o que pretendem: desenvolvimento com responsabilidade socioambiental. E o BNDES não pode perder isso de vista. Nenhum projeto é apoiado sem licenças ambientais e sem observar a legislação trabalhista. Se um órgão fiscalizador do Estado apontar irregularidade, o BNDES possui instrumentos para suspender repasses. Exigir que um banco seja fiscal ambiental é não compreender o seu papel. Equivaleria a cobrar do Ibama que faça financiamentos. Em relação à transparência, os critérios de escolha dos projetos são dados pela política de governo, e, quanto mais baixa a taxa de juros, mais prioritário é o tema. As menores taxas são para inovação, energia renovável, transporte ferroviário e urbano, saneamento, projetos em educação, saúde, meio ambiente e pequenas empresas. Isso é público, transparente e anunciado com antecedência", artigo de Fábio Kerche - FSP, 22/2, Tendências/Debates, p.A3


Isso é o que diz o BNDES, famoso pela falta de transparência e de responsabilidade socioambiental. Só na Amazônia vem bancando inúmeros estragos.


http://www.oecoamazonia.com/br/reportagens/brasil/135-os-financiamentos-insustentaveis-do-bndes-na-amazonia


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''Então morra'', diz prefeito de Manaus 
O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), discutiu ontem com a moradora de uma comunidade onde uma mulher e duas crianças morreram soterradas. O prefeito disse que as pessoas na comunidade Santa Marta, na zona norte da capital do Amazonas, ajudariam a prefeitura "não fazendo casas onde não devem". Uma moradora não identificada disse: "a gente está aqui, porque não tem condição de ter uma moradia digna". Exaltado, o prefeito então respondeu: "Minha filha, então morra, morra" - OESP, 22/2, Cidades, p.C4. 


Inacreditável o que uma pessoa é capaz de fazer.
Sr Amazonino Mendes, com certeza existem sérios problemas, população e prefeituras devem sempre trabalhar juntos. Se falta lixeira em Manaus (como é o caso), o povo joga lixo na rua (como é o caso). Se houvesse lixeiras na cidade, sem educação ambiental provavelmente o povo continuaria jogando lixo na rua, embora em menor quantidade.
No entanto, me assusta seu comentário. Não apenas a mim, mas com certeza a todos que possuem o mínimo de sensibilidade no coração. Sua frase foi pura demonstração de falta de respeito por aqueles que deveria zelar. Lamentável.


Save the planet!

15.11.10

TEDxAmazônia: revolução interna - e externa!

PRECISO dizer que participar do TEDxAmazônia foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida. E olha que já subi em sequoia (lembra de uma capa da National Geographic com um monte de pontinhos - gente - numa sequoia, de tão alta que ela era? Pois é, já fiz isso), andei à noite por mais de 1 km na Amazônia, nadei nos grandes rios Negro, Tapajós, Amazonas e Xingu (fora os pequenos), já participei de rituais com indígenas americanos, já ouvi felino na mata e ainda assim me mantive em pé, já estudei como fazer fogo, já viajei um tanto, já conheci tanta gente especial nesta Terra, enfim...



Enfim. No meio de tantas coisas legais que eu já fiz na janela de 31 invernos, nunca que eu ia imaginar que dois dias em um evento no meio da selva que eu AMO me causaria tamanho impacto interior.
Evento horizontal, assuntos transversais, palestrantes viraram amigos além de doces lembranças, público-amado (e não alvo!) que encontrei sem obra nenhuma do acaso e que hoje me inspira ainda mais a caminhada.
Nunca me vi rodeada de tanta gente interessante ao mesmo tempo, umas 500, sem exageros.
Eu sentava em várias mesas por dia, durante café da manhã, lanche, almoço, jantar e inclusive durante as baladinhas de sexta e sábado à noite, colava em gente com a pergunta direta "o que vc faz?!" partindo do princípio que, se a pessoa estava ali, algo de muito especial ela tinha. Fazia isso direto, ávida por ouvir histórias e ouvi, incríveis. Topei com muitos exemplos de vida: a linda que procura um caminho mais ambiental e social depois de anos de europa, o cara que já ajudou a construir casas em Cuba depois de peregrinar pelas partes mais pobres da Índia e pelo Nepal, a jornalista que vai viajar sem gastar dinheiro por 12 países pesquisando qualidade de vida urbana, o cara que trabalha com arte, a mulher que faz partos, o cientista espiritualizado, o biólogo que estuda gente, o jovem que me fez enxergar de uma vez por todas a beleza e a força da juventude, a colega querida das meditações vipassana, o choro de muitos, o abraço de muitos, o sorriso de muitos.
Saí de lá amiga de pessoas conhecidas no que fazem, há anos muito respeitadas, todas me tratando na horizontalidade, na verdade, na amizade - no TEDx não existe essa de ego, de sou melhor do que você. NÃO...todos juntos podemos muito, vamos compartilhar, vamos melhorar o mundo, vamos acreditar! Me dá a sua mão, acredita em mim, olha nos meus olhos, vamos fazer melhor, vamos dar nossa alegria e nossa fé, vamos cuidar...como disse o Bernardo Toro, cuidar de si mesmo, dos outros e do planeta.
Senti isso em cada abraço, em cada olhar, tudo muito genuíno e inspirador.
Saí de lá com uns 50 contatos de pessoas muito, mas muito especiais e interessantes, entre público e palestrantes, pessoas que não quero nunca mais que saiam das minhas vistas-coração.
Encontrei mais uma tribo. Mais uma. Que bom!
Então, pra finalizar, indico a todos: TEDx.
Tem muitos acontecendo Brasil afora, aproveite a oportunidade...pode revolucionar a sua vida.
Passada 1 semana, ainda estava com um pé e meio lá...agora entendi porque ainda não havia voltado: eu precisava dividir isso com você.
NamasTED!!!
Save the planet!

ps. pra saber mais: 
www.ted.com/tedx
www.tedxamazonia.com 

4.11.10

seca na amazônia: tá feia a coisa. literalmente.





Escrevi uma matéria sobre o que vi no rio Negro, há umas 2 semanas (Lixo e lama no lugar do Rio Negro, para o site O Eco - acompanhada de muitas fotos chocantes).
A seca deixa à mostra toneladas de lixo que as pessoas jogam nas lindas águas antes cor de chá mate, agora cor de lama. Vergonhoso ver que falta tanta educação assim, e justamente de pessoas que dependem do rio para comer, nadar, se locomover. Ei, não pensam que sem o rio estariam danados não?
Amo a Amazônia, amo os amazônidas, existem casos e casos, mas preciso confessar que nunca, em nenhum lugar do mundo por onde passei, vi tamanha naturalidade no convívio com a sujeira. Hellooooo, o estado natural e saudável do ser humano não é no meio do lixo, minha gente. Vamos parar de achar isso normal! Vamos parar de achar ok jogar lixo no rio, na rua, no chão da própria casa.
Que tal parar pra pensar sobre isso, hein?!
Já dizia o Cacique Seatle, há mais de 1 século atrás: "o que quer que o homem faça à Terra, a si próprio estará fazendo". Fico agoniada me perguntando, dia após dia, quando é que vai cair a ficha da humanidade.
*
Um adendo a este mesmo assunto, trecho de artigo de Victor Leonardi, no Estado de S. Paulo em 31 de outubro. 
Seca na Terra das Águas 
"Fico preocupado quando recebo notícias a respeito da seca que hoje atinge a região: rios estão quase secos, comunidades ribeirinhas estão isoladas, milhares de barcos encalharam, peixes estão morrendo, as pessoas estão sem comida e a água de muitos rios e igarapés tornou-se imprópria para o consumo. O nível do Rio Negro, em Manaus, monitorado desde 1902, é o menor já registrado. Costumo chamar a Amazônia de Terra das Águas. Quando, na Terra das Águas, começa a faltar água, algo grave deve estar ocorrendo no meio ambiente. Não é possível que o desmatamento não tenha nada a ver com essa mudança climática".


Save the rivers of the planet!
Save the planet!

14.6.10

terra sem lei, por miriam leitão

Salve, Miriam.

*

Em dez anos, os desmatadores destruíram no Brasil 260 mil hectares na Mata Atlântica, ou 2,6 mil km, o equivalente a duas cidades do Rio; e 176 mil km na Amazônia, área maior que toda a Inglaterra. Em sete anos, foram 85 mil km de cerrado; 4,3 mil km, no Pantanal; e 16,5 mil km, na caatinga. E o que o Congresso está discutindo não é como parar o crime, mas como perdoar os criminosos.

Esse é o principal ponto que torna o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) um equívoco. Ele leva o Brasil na direção oposta do que se deve ir. Em cada ponto, a proposta acelera na contramão. O que os poderes da República poderiam estar considerando é: dado que o atual Código não impediu essa destruição toda, o que fazer para que as leis possam ser cumpridas?

Os rios brasileiros estão assoreados, muitos já morreram, os rios que cortam o interior do país viraram latas de lixo e esgoto. As histórias são tão frequentes e antigas que nem cabe repetir aqui. A discussão urgente é como proteger os rios, aumentar o saneamento básico, limpar as correntes de água, garantir que a faixa de mata ciliar seja recomposta. Mas o que a proposta de novo Código Florestal estabelece é como reduzir a proteção aos rios, diminuindo o tamanho das Áreas de Proteção Permanente (APP).

O Brasil tem tido assustadores problemas de deslizamento de encostas nas cidades, nas estradas. Elas servem como um alerta sobre o cuidado com o usode terrenos muito íngremes. A lei de 1965 cria limites ao uso de terrenos com 45 graus de inclinação e protege o topo dos morros. O novo Código reduz a proteção dessas áreas frágeis.

Imaginemos dois proprietários rurais na Amazônia, no Cerrado ou na Mata Atlântica, ou qualquer outro bioma brasileiro, como o nosso belo e frágil Pantanal. Um preservou a reserva legal guardando o percentual da propriedade estabelecido por lei, respeitou as APPs e não contou essas áreas nas reservas legais. Se já entrou na propriedade com uma área desmatada maior do que o permitido, replantou espécies da região. O outro desmatou com correntão, incendiou parte da floresta, fez corte raso ou qualquer uma dessas formas primitivas e predatórias de ocupar a terra. O segundo terá as seguintes vantagens: pode continuar usando as áreas "consolidadas" sem pagamento de multa, tem 30 anos para recompor a reserva legal de forma voluntária, pode usar espécies exóticas, pode replantar em outro local, pode fazer lobby junto ao governo estadualpara reduzir a área a ser protegida. Pode continuar explorando o topo dos morros, reduzir a área de proteção aos rios e contar a APP como parte da reserva legal. Como se vê, será compensado, anistiado, incentivado. E quanto ao primeiro? Ao que cumpriu a lei? Ora, esse deve procurar o primeiro espelho, olhar para seu próprio rosto e dizer: "Cumpri a lei, fui um otário!"

No século XXI, diante de tantos exemplos dos riscos da degradação ambiental, o que o Brasil deveria estar fazendo? Discutindo seriamente como aumentar a proteção ao meio ambiente. Mesmo os que não acreditam nas mudanças climáticas sabem que o meio ambiente é essencial para a qualidade de vida. Em vez de uma discussão serena e atualizada, o relator do projeto de mudança do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo, nos propõe uma sequência delirante de explicações persecutórias. O mundo estaria conspirando contra o desenvolvimento brasileiro através de malévolas organizações infiltradas no país, impondo aos cidadãos nacionais convicções exóticas sobre a necessidade de evitar o desmatamento e inventando evidências científicas de que o clima está mudando.

Até quem tenha muito boa vontade com este tipo de raciocínio alienista precisa saber como explicar algumas contradições: muitas das ONGs são genuinamente brasileiras, o maior beneficiário de um meio ambiente sadio e protegido é o próprio brasileiro, o clima está de fato mudando perigosamente, os países desenvolvidos estão impondo para si mesmos metas de redução de emissões maiores do que as que o Brasil espontaneamente se dispôs a cumprir.

O Brasil é uma potência agropecuária. Os números crescentes de produção, produtividade e exportação derrubam a tese de que o Código Florestal está impedindo essa atividade econômica no país. Há pouca chance de que continuemos avançando em mercados mais competitivos se a decisão for permitir mais desmatamento, tornar mais frouxas as regras, controles e limites. É bem provável que ocorra o oposto: que esse passe a ser o principal argumento para imposição de barreiras contra o produto brasileiro, seja ele produzido de forma sustentável ou não.

O principal problema do Código não é ser excessivamente rigoroso. Se fosse, o Brasil não teria as estatísticas que tem. É que as leis não têm sido respeitadas. Mudar a lei para que o Código seja cumprido é tão inútil e perigoso quanto tentar reduzir a incidência de febre nos pacientes com infecção, estabelecendo que febre é apenas de 39 graus para cima. O racional a fazer com a febre é tratar a infecção; o melhor a fazer com nosso persistente desmatamento é impor o respeito à lei e ao patrimônio público; e não suavizar o Código, anistiar quem não a cumpriu e postergar seu cumprimento.

Em Minas, há um desmatador profissional que tira a mata dele e dos vizinhos, pequenos proprietários, a quem paga alguns trocados. De tanto ser denunciado e multado, ele já aprendeu o truque. Agora, ele mesmo se denuncia, paga a multa e assim legaliza seu ato. É o crime que tem que ser combatido, deputados e senadores, e não a lei.


Save the planet!

26.5.09

O Brasil na contramão da história *

* por Dal Marcondes

Ruralistas e ambientalistas estão travando um embate sobre a legislação que vai definir os limites da preservação florestal no Brasil. Um “afã produtivista”, conforme o ministro Carlos Minc, que pode comprometer as metas e a responsabilidade do Brasil em relação ao aquecimento global.

Soube que nesta sexta-feira o ministro e ambientalistas se reuniram em São Paulo, na casa de um conhecido ambientalista paulista, e que a conversa teve tons de aspereza, principalmente porque Minc não está conseguindo frear o avanço da frente parlamentar ruralista sobre a legislação ambiental, o que pode abrir brechas para a instalação de usinas de álcool no Pantanal e legitimar a grilagem na Amazônia.

Segundo a Folha de São Paulo deste sábado os projetos polêmicos são:

Código Florestal
Legislação – A lei não fixa limites de desmatamento no país e exige a manutenção de vegetação nativa em parcela das propriedades e das áreas de preservação ao longo de rios.
Discussão – Agronegócio defende mudanças.

Regularização Fundiária
Legislação – Projeto doa ou vende a preço simbólico aos atuais ocupantes 67,4 milhões de hectares na Amazônia.
Discussão – Bancada ruralista quer impedir a futura retomada das terras em caso de desmatamento.

Licenciamento de Estradas – Projeto em votação no Senado acelera processo de licença ara estradas já abertas. Regras se aplicam a projetos do PAC.
Discussão – ONGs afirmam que a pavimentação de estradas é o maior vetor de desmate da Amazônia. Ministro Carlos Minc classificou a mudança como “contrabando completo”.

Zoneamento da Cana
Legislação – Lula prometeu regulamentar a expansão do cultivo de cana para a produção de biocombustíveis na Amazônia.
Discussão – O anúncio foi adiado por conta de pressões para liberar áreas no entorno do Pantanal, na bacia do alto Paraguai; ambientalistas temem contaminação dos rios.

Compensação Ambiental
Legislação – Decreto do presidente Lula reduziu para 0,5% o percentual máximo a ser cobrado dos empreendimentos como construção de rodovias e hidrelétricas, pelos impactos que geram, apenas sobre parte do custo da obra.
Discussão – Contrária ao governo, proposta do MMA era de que o piso fosse de 2% sobre o valor total da obra.

O grupo de ambientalistas reunidos em São Paulo, está se articulando para a formulação de uma estratégia de reação aos ataques à legislação ambiental.


-> RESOLVI COMPLEMENTAR COM OUTRO POST DO DAL, CHAMADO "ATAQUE AO CÓDIGO FLORESTAL". CONTINUAÇÃO DO QUE VOCÊ ACABOU DE LER:

Caros, resolvi publicar em destaque o cometário feito pelo jornalista Ricardo Carvalho, que estava na reunião de ambientalistas com o ministro Minc na última sexta. Vale a pena ler, pela legitimidade do Ricardo, e pelo tom apaixonado com o qual defende as questões ambientais no Brasil.Muita gente tem comentado que Minc foi um retrocesso depois da ministra Marina Silva.

Em muitos aspectos, talvez na maioria, acho mesmo que foi. No entanto, não há como negar que ele ainda está do "lado do bem" em relação ao Código Florestal. Existem grandes interesses relacionados às questões ambientais e florestais,especialmente quando falamos de Amazônia. Nos últimos anos o governo tem demonstrado ser esquizofrênico em reação a estes temas. Mais quando a senadora Marina era ministra, agora com as disputas claras entre Reinold Stefanes e Carlos Minc.

Não sou, e é bom deixar isso muito claro, partidário ou porta-voz do ministro Minc, mas acredita que o MMA precisa de suporte da sociedade para tentar barrar os avanços da frente ruralista. Há outros frentes, como hidrelétricas e estradas onde o MMA não tem se posicionado claramente, mas na questão do Código Florestal a coisa está degringolando.

Acho que, como jornalistas, temos de olhar para as disputas relacionadas ao Código Florestal com muito cuidado, porque uma brecha, mesmo que em liminar, significa em poucos dias milhares de tratores avançando sobre as áreas de proteção permanente, que depois não poderão ser recuperadas.Minha avaliação neste momento é: ruim com o Minc, pior sem ele. Quem assumiria o MMA, o Mangabeira Unguer?

Ricardo Carvalho disse...
Eu estava na casa do ambientalista na sexta e fiquei impressionado com a agressividade gratuita de duas ONGs com o Minc, que é do PT. O Minc subiu nas tamancas e respondeu à altura. Algumas outras intervenções como do Eduardo Jorge (do PV) e do vereador de S. Paulo Natalino (PSDB), além do Fabio Feldmann (PV) deixaram bem claro que o momento é de união dos ambientalistas para defender a legislação ambiental brasileira contra o avanço dos ruralistas. A ameaça é da maior seriedade e é fundamental os ambientalistas, independente de partidos e posições, procurarem o que os une e sair às ruas para defender a legislação tão duramente conquistada.


-> COMPLEMENTANDO O QUE DISSE RICARDO, EU AFIRMO: MEIO AMBIENTE NO BRASIL NÃO É SÓ DA CONTA DE AMBIENTALISTAS, MAS DE TODOS OS BRASILEIROS. O MOMENTO É DE UNIÃO SIM, DE BRASILEIROS, DO POVO MESMO, EM DEFESA DA NATUREZA QUE NOS CERCA, CONTRA ESTAS MUDANÇAS ABSURDAS QUE QUEREM FAZER NO CÓDIGO FLORESTAL. SE PECARMOS PELA OMISSÃO, NÃO TEREMOS O DIREITO DE RECLAMAR.


ONDE ESTÁ A GARRA QUE VIMOS NAS PESSOAS QUE PEDIRAM O IMPEACHMENT DE COLLOR? VAMOS CRIAR UM MOVIMENTO? VAMOS ÀS RUAS? VAMOS NOS MANIFESTAR PELA PROTEÇÃO DE NOSSAS TERRAS, ÁRVORES, RIOS, ANIMAIS, NOSSO AR, NOSSA ÁGUA, NOSSA QUALIDADE DE VIDA? OU VAMOS ASSISTIR TUDO DE NOSSOS SOFÁS CONFORTÁVEIS OLHANDO O ROSTO BONITO DE ÂNCORAS DE JORNAIS DE TV ANUNCIANDO RETROCESSOS NA CONDUTA AMBIENTAL BRASILEIRA PARA NOS SENTIRMOS BEM INFORMADOS E NOS ENGANARMOS, ACHANDO QUE TER INFORMAÇÃO A RESPEITO DO TEMA BASTA PARA DORMIRMOS UM SONO TRANQUILO? MEUS CAR@S, INFORMAÇÃO É APENAS O PRIMEIRO PASSO DA MUDANÇA...QUE MAIS FAREMOS?

VOLTO AO RICARDO:
Não dá parar sair às ruas? Reúna pessoas, fale nos seminários sobre o problema, mande emails de apoio, faça um abaixo assinado, pressione o seu parlamentar...
Este é um movimento que está nascendo e vale muito a pena apoiá-lo.


NÃO TEMOS TEMOS A PERDER.


Save the planet!

20.5.09

bastidores da vígilia pela Amazônia

Cliquei esta foto neste final de semana, durante uma tarde ensolarada de frente para o belíssimo Rio Negro

Este texto foi publicado no blog do Greenpeace:

Em mais de oito horas de vígilia pela Amazônia no plenário do Senado, em Brasília, foram muitos os momentos simbólicos. Do canto da pajé Zeneida Lima à apresentação do vídeo Manifesto Amazônia para Sempre, dos comentários debochados de alguns senadores da bancada ruralista à emoção da atriz Christiane Torloni ao falar da destruição da floresta.

Selecionei alguns para compartilhar aqui no blog, vamos a eles:
* Logo no início da vigília, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quebrou o protocolo e convidou todos os presentes a sentarem nas cadeiras reservadas aos senadores. Como muitos não estavam no plenário, sobrou espaço. Eu sentei na cadeira do senador Efraim Moraes (PFL-PB).

A partir dali, o Senado passou a ser formado por uma imensa bancada em defesa da Amazônia.
* Os senadores aproveitaram a presença de ambientalistas e imprensa para divulgar suas ações em defesa do meio ambiente. O senador Valdir Raupp (PMDB-RO), por exemplo, distribuiu livreto explicando seu projeto de lei pelo desmatamento zero na Amazônia e criação de um Ministério da Amazônia.

* Você conhece o Partido dos Defensores da Natureza e do Meio Ambiente (PDNMA)? Pois ele existe, apesar de não ter representação no Congresso. E representantes do partido foram à vigília para divulgar suas propostas.

* Comentário do senador Cícero Lucena (PSDB-PB) ao ver as pilhas de papel com o abaixo-assinado de mais de um milhão de pessoas ser colocada no meio do plenário. “Falam em desmatamento zero e gastam esse tanto de papel…” Convenhamos: se Lucena e seus pares atuasse menos para impedir medidas que reduzam o desmatamento, a tal pilha não precisaria existir, confere?

* Vários senadores e deputados deram uma de tiete quando os atores Christiane Torloni e Victor Fasano chegaram ao plenário do Senado. Tiraram fotos ao lado deles e pediram autógrafos.
* A ex-ministra Marina Silva (PT-AC) era de longe a pessoa mais elegante da vigília. Chegou uma das primeiras a chegar e uma das últimas a deixar o plenário.

* Chico Mendes, seringueiro, sindicalista e ativista ambiental do Acre, foi um dos nomes mais lembrados pelos participantes da vigília pela Amazônia. Chico, assassinado em 1988 em Xapuri (AC), foi um dos que mais lutaram pelo desenvolvimento sustentável da região.

* Enquanto parlamentares, ambientalistas e ativistas criticavam veementemente, no plenário do Senado, o agronegócio brasileiro e seus defensores no Congresso, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) tomava tranquilamente um cafezinho no restaurante em anexo, juntamente com um representante da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abeic). A pecuária é um dos principais vetores de desmatamento na Amazônia.

* Ao mesmo tempo, a MP 458 - projeto de regularização fundiária na Amazônia - era aprovada na Câmara dos Deputados. Para muitos dos presentes à vigília, a aprovação da MP do jeito que foi feita, sem os devidos cuidados aos detalhes que constavam dos destaques apresentados pelos deputados, significa a privatização das terras públicas na Amazônia.

* “Ô Sarneyzinho, chama a Kátia Abreu para assinar o abaixo-assinado pela Amazônia!”, gritou uma moça da tribuna do Senado para o deputado Sarney Filho, líder da bancada ambientalista na Câmara. Kátia Abreu é um dos principais nomes da bancada ruralista, que faz tudo o que pode para brecar projetos que ajudem a preservar o meio ambiente.

* A apresentação de Carlos Nobre, do Inpe, foi uma das mais aguardadas da noite e foi forte o suficiente para prender a atenção de todos. “A preservação da Amazônia vale bilhões de dólares para o Brasil e para o mundo. Somos um povo da floresta, mas agimos como se fôssemos europeus. Foi assim na colonização do país, foi assim quando desbravaram a Amazônia e continuamos com esse modelo predador. O que precisamos é de uma ciência da floresta, para termos conhecimento e desenvolvimento sustentável na Amazônia.”

* O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) encerrou as atividades no plenário do Senado lendo o poema Um Sonho que Cresce no Chão da Floresta, de Thiago de Mello, poeta natural do estado do Amazonas. Não encontrei o poema na internet, mas quem quiser conhecer um pouco da poesia de Thiago de Mello, clique
aqui.

Save the planet!

9.3.09

manaus é a capital do caos no brasil

blog do Altino Machado
Por Edilson Martins
O jornal Folha de S.Paulo divulgou recentemente que o Ministério Publico Federal no Amazonas está investigando o hotel de selva Ariaú Amazon Towers, localizado a 60 km de Manaus, e praticamente no coração das Anavilhanas, o segundo maior arquipélago de água doce do mundo.
Acusação: o famoso Ariaú, que hospeda os homens mais ricos e poderosos do mundo, estaria
despejando lixo e queimando resíduos tóxicos nas margens e no interior do rio Negro, em área de preservação ambiental.
“Noticiazinha fuleira”, pensei comigo. Na verdade, banal para quem conhece a violência generalizada contra o vale do maior rio do mundo. E um dos mais belos, pode-se acrescentar, sem se exceder no ufanismo.
Em verdade, em verdade me apropriei dessa banalidade -falo da notícia da agressão ao rio-, para retornar a um assunto que se vai banalizando na Amazônia: destruição dos últimos sítios, vamos dizer refúgios, das cidades, dos espaços humanos da região.
No caso agora, a cidade de Manaus, onde o governador, Eduardo Braga, apresenta-se como modelo de respeito à Amazônia. Chegou inclusive a criar o Bolsa Floresta. Acredite.
Tira a preguiça do mato
No entorno do Conjunto Residencial Murici havia uma generosa mata, no Parque 10, ao lado da recém construída Assembléia Legislativa. Nessa mata, dominada por buritizais, açaizeiros, e até castanheiras, afora outras espécies não menos importantes, viviam saracuras, preguiças, papagaios, sabiás, e muitas iguanas. As sabiás, eram às dezenas. Fui testemunha de todo esse paraíso. Tudo isso recentemente.
Uma área dessas, um refúgio desses, no coração de uma cidade, dominada por pequenos e grandes riachos, onde passa, vale lembrar, o igarapé Bindá, de grata e saudosa memória para quem o conheceu no passado, seria defendida com armas na mão, em muitas culturas.
Por muito menos, o ecologista Augusto Ruschi, em pleno governo militar, impediu que se destruísse algo parecido, o de Santa Teresa, no Espírito Santo. Mobilizou primeiro o município, depois a cidade de Vitória, e finalmente o país. Tudo para defender uma única espécie - o beija-flor-azul-de-rabo-branco.
A pá de cal
No Conjunto Murici até recentemente, recentemente digo, há dois, três meses, basta ouvir os moradores do local, em alguns tanques, pequenas piscinas de fundo de quintal, teve início uma ocorrência curiosa. Curiosa não, dolorosa. Muitos lagartos, principalmente iguanas, começaram a invadir esses espaços, em busca da sobrevivência.
Dava pena ver a sofreguidão, de espécies raras, buscando em desespero uma saída, condenadas a desaparecer por falta de habitat, pela insensibilidade dos homens, pela insensibilidade urbana. Acasaladas, ou sozinhas, essas espécies estavam vivendo a mesma experiência da presença do homem em seus nichos, em seus últimos santuários. E, no entanto, essa violência, é uma faca de dois legumes. Já estamos pagando por esses crimes.
O processo, sim, foi um processo, teve início com a construção de prédios às margens do Bindá, há dois, três anos, quase no encontro com a rua Recife. Vejam bem: pelo que se sabe, não se pode construir às margens de nascentes, de igarapés, no coração de uma cidade como Manaus, desmatada, agredida por todos e por tudo. Há leis, e leis federais, impedindo tais absurdos.
E, no entanto, o golpe final, a pá de cal que se joga no corpo que se despede, foi a construção recente de uma garagem de carros para o prédio da Assembléia Legislativa. Aí o desmatamento se fez definitivo.
O curioso, não deixa de ser curioso, senão dramático, a revelação dessa violência foi recebida com muito enfado. Desagrado. Houve até revolta. Acusaram os denunciantes de leviandade, de se meter aonde não deve, de excesso de zelo, e por aí afora. Pensei comigo, lendo a reação dessa gente: é, parte desse povo é diferente, pode-se dizer bisonho, curiosamente bisonho. Digo parte porque muitos não viram assim.
Joga pedra na Geni
A cidade está desmatada, não há calçamento, ruas esburacadas, não existem praças, e falar em arborização é virar motivo de galhofa. Em contrapartida, basta olhar, vemos uma população visivelmente gorda, e, portanto, doente. Numa cidade de arrecadação invejável, de PIB de primeiro mundo. Uma cidade precisa oferecer ruas agradáveis, praças receptivas, o povo precisa caminhar, bater pernas, andar faz bem, sim senhor.
Em Manaus é impossível. Ou possível com o risco de um tornozelo deslocado. Agreguemos um Sol implacável, sem quase nenhuma árvore que nos socorra. Estou falando das ruas, dos espaços públicos.
Estive recentemente em Rio Branco, no Acre. Há oito anos não a visitava. Lá, a cidade passou por um choque de humanização.
Ruas limpas, calçadas amplas, muita arborização, praças recuperadas e até o mercado municipal, até então parecido com o de Manaus atual, tudo uma beleza. Resultado: o povo passou a caminhar. Procurei me informar e tive a curiosa revelação; o atendimento nos hospitais foi reduzido substancialmente. Com isso, houve redução nos gastos públicos na esfera de saúde.
Até pensei: PT bom é o PT do Acre, porque no resto… bem, deixa pra lá…
Faça o que mando, mas…
Vejamos como o Amazonas é singular. Não o povo, que fique bem claro, mas suas lideranças. O governador busca sensibilizar, e afirma aos dirigentes da FIFA que tem recursos à sobra para sediar alguns jogos da próxima Copa do Mundo. Anuncia um estádio de ponta e, de sobra, um conjunto de obras e intervenções capazes de fazer inveja ao mais radical dos ambientalistas.
Tudo, garante o governador, será ecologicamente correto, e mostrará ao mundo -sim, é um evento global- que o estado do Amazonas está afinado e consciente de que o meio ambiente não pode ser violentado. Governador jovem, com projetos robustos, ótimo.
Pois bem, a Assembléia Legislativa, instituição nobre, cujos representantes têm o dever de zelar pela qualidade de vida da população, pelo menos hipoteticamente, onde o governo estadual tem maioria, destruiu uma das últimas áreas verdes da cidade para implantar um estacionamento monumental.
É o que dizem as fotos, os blogs, a imprensa, e os moradores. Por mais que não queiramos assim pensar, não deixa de ser emblemático, tristemente simbólico. Tudo isso, às almas mais sensíveis e atentas, bom, deixa pra lá…

◙ Edilson Martins é jornalista e escritor

Save the planet!

25.2.09

mais amazônia no carnaval e algumas reflexões

Caros leitores, a Mocidade Amazonense, escola campeã do carnaval santista, também levou nossa Amazônia à passarela. Cerca de 1.300 componentes cantaram em uníssono o samba "Amazonas: manancial das águas. Um canto de alertado guerreiro amazonense".

O objetivo foi chamar a atenção do público para a preservação da floresta e suas belezas também. Falou-se em rio Amazonas, lendas curiosas como as do boto, Uirapuru e Piracema, do encontro das águas dos rios Negro e Solimões, dos povos da floresta e até da pororoca. Nomes de algumas das alas? "Turistas", "Preservação" e "Conscientização".


Isso me faz refletir sobre o seguinte: acredito que FINALMENTE a Amazônia está se tornando mais visível a muitos brasileiros. Compreender sua beleza e importância à humanidade é o passo número 1 que cada um de nós pode dar para protegê-la de fato. Quanto mais falarmos da Amazônia, melhor.
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21.2.09

amazônia no samba enredo da X-9 Paulistana


Foto de Adriano Vizoni

Tô gostando de ver, cada vez mais pessoas cantam pela proteção de nossa Amazônia.

A letra não é das mais bonitas, creio eu, mas ao escolher a floresta como tema do samba enredo, tiro meu chapéu para a X-9 mesmo sendo fã da Vai-Vai.

"O nosso objetivo não é trazer para o carnaval uma discussão política sobre a Amazônia, pois é um momento de muita alegria. Será um desfile com muito deboche e invenção, com o intuito de descolar o assunto da realidade para depois nós termos fôlego e aí sim discutir os problemas", diz o carnavalesco Paulo Führo. Quero ver mesmo a discussão dos problemas e das soluções hein, Paulo.

"Guerreiro de Anhanguaé" é uma referência a Chico Mendes.
"Conseguimos Conquistar com o Braço Forte... ", se refere ao assunto clichê e mais do que batido "internacionalização da Amazônia". Sobre isso, já publiquei a matéria "Chega de Hipocrisia, meu Brasil" e se este assunto te interessa, aconselho a dar uma lidinha no texto clicando
aqui.

Eis o samba:

"Amazônia...
Conseguimos Conquistar com o Braço Forte...
do Esplendor da Havea Brasiliensis à Busca pela Terra sem Males

Feito pajé entrei na mata
Onde o meu canto ecoou
Evoco energias encantadas
Neste santuário de amor
Abrindo os portais da imaginação
Eu vou na barca de dom Sebastião
Por mares dourados naveguei
Mistérios e magias encontrei
Vou bater o meu tambor... Auê!
Um delírio de felicidade
Em cada gota de borracha
O luxo e o esplendor...
No eldorado que tupã abençoou
Porém nem tudo é beleza
Vejo o corvo da ambição.
O silêncio toma conta da floresta
Lágrimas de destruição.
Ao som...
Dos maracás vou convocar
O guerreiro de anhangáe outros seres imortais...
Pra expulsar, toda maldade desta terra
A nossa tribo vence a guerra
Chegou a hora! Vamos juntos festejar
E hoje...
Meu gesto de amor e paz
Vai coroar, a protetora dos mananciais.
Amazônia,
Meu braço forte é a sua proteção
Sou um valente guerreiro
Eu sou x-9, sou caboclo brasileiro.
"

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12.2.09

um grito mudo diante de afirmações tristes...


Hoje conheci sem querer uma pessoa em Manaus - ela é daqui. Começamos a bater papo, ela me pergunta o que eu faço, digo que sou jornalista ambiental.

- antes de continuar, preciso dizer que já rezei muito pedindo a Deus toda paciência e amor do mundo para lidar com situações como a que contarei a seguir. Não foi nada fácil -

Pois bem. E a pessoa vira e me fala estas frases:

"eu não cuido da natureza"

JÁ ME CHOCOU.

"ah, tem tanta terra por aí na amazônia...ela não vai acabar não"

A CIÊNCIA COMPROVA QUE SE A DESTRUIÇAO DA FLORESTA CHEGAR A 30% - 17% JÁ ACABOU - A AMAZÔNIA ENTRARÁ EM UM PROCESSO IRREVERSÍVEL DE AUTO-DESTRUIÇÃO, POIS O CICLO DE CHUVAS NÃO SERÁ MAIS O MESMO, ENTRE OUTROS FATORES.

"eu como carne por prazer, não vou parar"

NÃO QUER PARAR OK, MAS DIMINUA, POIS A CRIAÇÃO DE GADO É A CAUSA NÚMERO 1 DO QUE ESTÃO FAZENDO COM A NOSSA FLORESTA. SE NÃO HOUVESSE TANTO CONSUMO DE CARNE NO MUNDO, TERÍAMOS MAIS AMAZÔNIA. ISSO É MATEMÁTICA, SIMPLES ASSIM.

"o mundo não vai melhorar"

ENTÃO TÁ, VAMOS PARAR DE PENSAR EM COISAS CHATAS COMO CONTER O CONSUMISMO, RECICLAR, DETER O DESMATAMENTO, COMER MENOS CARNE, ANDAR DE TRANSPORTE PÚBLICO, NÃO USAR TANTO AR CONDICIONADO, TOMAR BANHO RÁPIDO ETC. E CONTINUAR COM NOSSAS VIDAS CONFORTÁVEIS PARA VER ONDE ISSO VAI NOS LEVAR. QUEREMOS PAGAR PARA VER?
FICO ME QUESTIONANDO O QUE SERÁ DE NÓS E DAS FUTURAS GERAÇÕES SE A MAIORIA DAS PESSOAS PENSAR ASSIM.

"não é trabalho escravo porque a pessoa que trabalha nessas fazendas de gado recebe salário"

INFORMAÇÃO É TUDO: O MAIOR ÍNDICE DE TRABALHO ANÁLOGO AO DA ESCRAVIDÃO DO NOSSO PAÍS ESTÁ NA AMAZÔNIA EM FAZENDAS DE GADO. PESSOAS COMEM E DORMEM COM ANIMAIS, DEVEM PARA O PATRÃO, TOMAM ÁGUA DE POÇA BARRENTA, APANHAM E SÃO AMEAÇADAS DE MORTE. ISSO É ESCRAVIDÃO. É MUITO TRISTE, MEU BRASIL.

*

A pessoa se manteve a calma o tempo todo, enquanto meu coração acelerava consideravelmente, minha respiração alterada. Não queria ter me irritado nem um pouco, mas é que quando ouço coisas desse tipo me bate um desespero. Um desespero real, uma agonia. Falar com essa pessoa foi como dar um grito interno direcionado ao mundo, mas um grito que só eu ouvi.
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6.2.09

qual é a relação entre obesidade e desmatamento?

"O desmatamento da Amazônia e o pensamento obeso" é um artigo excelente de Marcelo Sampaio Dias Maciel, professor de economia e doutorando em Planejamento Energético e Ambiental, escrito para o jornal O Globo em um espaço reservado apenas para leitores.

Ele faz uma relação interessante sobre o desmatamento da floresta e o abuso de nossos governos e de nossa economia ao desrespeitar leis para bancar o desenvolvimento que engorda o povo de nossa nação. E que, mais dia, menos dia, pode fazer todo mundo parar no hospital.

Para ler, clique aqui.

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