15.11.10

TEDxAmazônia: revolução interna - e externa!

PRECISO dizer que participar do TEDxAmazônia foi uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida. E olha que já subi em sequoia (lembra de uma capa da National Geographic com um monte de pontinhos - gente - numa sequoia, de tão alta que ela era? Pois é, já fiz isso), andei à noite por mais de 1 km na Amazônia, nadei nos grandes rios Negro, Tapajós, Amazonas e Xingu (fora os pequenos), já participei de rituais com indígenas americanos, já ouvi felino na mata e ainda assim me mantive em pé, já estudei como fazer fogo, já viajei um tanto, já conheci tanta gente especial nesta Terra, enfim...



Enfim. No meio de tantas coisas legais que eu já fiz na janela de 31 invernos, nunca que eu ia imaginar que dois dias em um evento no meio da selva que eu AMO me causaria tamanho impacto interior.
Evento horizontal, assuntos transversais, palestrantes viraram amigos além de doces lembranças, público-amado (e não alvo!) que encontrei sem obra nenhuma do acaso e que hoje me inspira ainda mais a caminhada.
Nunca me vi rodeada de tanta gente interessante ao mesmo tempo, umas 500, sem exageros.
Eu sentava em várias mesas por dia, durante café da manhã, lanche, almoço, jantar e inclusive durante as baladinhas de sexta e sábado à noite, colava em gente com a pergunta direta "o que vc faz?!" partindo do princípio que, se a pessoa estava ali, algo de muito especial ela tinha. Fazia isso direto, ávida por ouvir histórias e ouvi, incríveis. Topei com muitos exemplos de vida: a linda que procura um caminho mais ambiental e social depois de anos de europa, o cara que já ajudou a construir casas em Cuba depois de peregrinar pelas partes mais pobres da Índia e pelo Nepal, a jornalista que vai viajar sem gastar dinheiro por 12 países pesquisando qualidade de vida urbana, o cara que trabalha com arte, a mulher que faz partos, o cientista espiritualizado, o biólogo que estuda gente, o jovem que me fez enxergar de uma vez por todas a beleza e a força da juventude, a colega querida das meditações vipassana, o choro de muitos, o abraço de muitos, o sorriso de muitos.
Saí de lá amiga de pessoas conhecidas no que fazem, há anos muito respeitadas, todas me tratando na horizontalidade, na verdade, na amizade - no TEDx não existe essa de ego, de sou melhor do que você. NÃO...todos juntos podemos muito, vamos compartilhar, vamos melhorar o mundo, vamos acreditar! Me dá a sua mão, acredita em mim, olha nos meus olhos, vamos fazer melhor, vamos dar nossa alegria e nossa fé, vamos cuidar...como disse o Bernardo Toro, cuidar de si mesmo, dos outros e do planeta.
Senti isso em cada abraço, em cada olhar, tudo muito genuíno e inspirador.
Saí de lá com uns 50 contatos de pessoas muito, mas muito especiais e interessantes, entre público e palestrantes, pessoas que não quero nunca mais que saiam das minhas vistas-coração.
Encontrei mais uma tribo. Mais uma. Que bom!
Então, pra finalizar, indico a todos: TEDx.
Tem muitos acontecendo Brasil afora, aproveite a oportunidade...pode revolucionar a sua vida.
Passada 1 semana, ainda estava com um pé e meio lá...agora entendi porque ainda não havia voltado: eu precisava dividir isso com você.
NamasTED!!!
Save the planet!

ps. pra saber mais: 
www.ted.com/tedx
www.tedxamazonia.com 

4.11.10

seca na amazônia: tá feia a coisa. literalmente.





Escrevi uma matéria sobre o que vi no rio Negro, há umas 2 semanas (Lixo e lama no lugar do Rio Negro, para o site O Eco - acompanhada de muitas fotos chocantes).
A seca deixa à mostra toneladas de lixo que as pessoas jogam nas lindas águas antes cor de chá mate, agora cor de lama. Vergonhoso ver que falta tanta educação assim, e justamente de pessoas que dependem do rio para comer, nadar, se locomover. Ei, não pensam que sem o rio estariam danados não?
Amo a Amazônia, amo os amazônidas, existem casos e casos, mas preciso confessar que nunca, em nenhum lugar do mundo por onde passei, vi tamanha naturalidade no convívio com a sujeira. Hellooooo, o estado natural e saudável do ser humano não é no meio do lixo, minha gente. Vamos parar de achar isso normal! Vamos parar de achar ok jogar lixo no rio, na rua, no chão da própria casa.
Que tal parar pra pensar sobre isso, hein?!
Já dizia o Cacique Seatle, há mais de 1 século atrás: "o que quer que o homem faça à Terra, a si próprio estará fazendo". Fico agoniada me perguntando, dia após dia, quando é que vai cair a ficha da humanidade.
*
Um adendo a este mesmo assunto, trecho de artigo de Victor Leonardi, no Estado de S. Paulo em 31 de outubro. 
Seca na Terra das Águas 
"Fico preocupado quando recebo notícias a respeito da seca que hoje atinge a região: rios estão quase secos, comunidades ribeirinhas estão isoladas, milhares de barcos encalharam, peixes estão morrendo, as pessoas estão sem comida e a água de muitos rios e igarapés tornou-se imprópria para o consumo. O nível do Rio Negro, em Manaus, monitorado desde 1902, é o menor já registrado. Costumo chamar a Amazônia de Terra das Águas. Quando, na Terra das Águas, começa a faltar água, algo grave deve estar ocorrendo no meio ambiente. Não é possível que o desmatamento não tenha nada a ver com essa mudança climática".


Save the rivers of the planet!
Save the planet!

17.10.10

marina: uma sábia e urgente visão de mundo

Trecho da resposta de Marina Silva à neutralidade de seu apoio a qualquer dos candidatos no sgundo turno. Sua carta traduz a sabedoria de uma nova e urgente visão de mundo.


"Não há mais como se esconder, fechar os olhos ou dar respostas
tímidas, insuficientes ou isoladas às crises que convergem para a
necessidade de adaptar o mundo à realidade inexorável ditada pelas
mudanças climáticas. Não estamos apenas diante de fenômenos da
natureza.
O mega fenômeno com o qual temos que lidar é o do encontro da
humanidade com os limites de seus modelos de vida e com o grande
desafio de mudar. De recriar sua presença no planeta não só por
meio de novas tecnologias e medidas operacionais de sobrevivência,
mas por um salto civilizatório, de valores.
Não se trata apenas de ter políticas ambientais corretas ou a
incentivar os cidadãos a reverem seus hábitos de consumo. É
necessária nova mentalidade, novo conceito de desenvolvimento,
parâmetros de qualidade de vida com critérios mais complexos do
que apenas o acesso crescente a bens materiais.
O novo milênio que se inicia exige mais solidariedade, justiça dentro
de cada sociedade e entre os países, menos desperdício e menos
egoísmo. Exige novas formas de explorar os recursos naturais, sem
esgotá-los ou poluí-los. Exige revisão de padrões de produção e um
fortíssimo investimento em tecnologia, ciência e educação.
É esse, em síntese, o sentido do que chamamos de Desenvolvimento
Sustentável e que muitos, por desconhecimento ou má-fé, insistem
em classificar como mera tentativa de agregar mais alguns cuidados
ambientais ao mesmo paradigma vigente, predador de gente e
natureza.
É esse mesmo Desenvolvimento Sustentável que não existirá se não
estiver na cabeça e no coração dos dirigentes políticos, para que
possa se expressar no eixo constitutivo da força vital de governo.
Que para ganhar corpo e escala precisa estar entranhado em
coragem e determinação de estadista. Que será apenas discurso
contraditório se reduzido a ações fragmentadas logo anuladas por
outras insustentáveis, emanadas do mesmo governo".


Saiba mais
Carta na íntegra


Save the planet!