19.11.07

novos nós pela multiplicação das boas intenções!

Neste momento eu escrevo a você ouvindo o hino nacional com o canto do Capitão do Mato de fundo. Este pássaro, que habita as terras da imensa Amazônia, tem um canto simplesmente maravilhoso, quase hipnotizante. Achei essa versão da nossa música oficial no site do manifesto Amazônia Para Sempre, organizado pelos atores Victor Fasano e Christiane Torloni.

Eles foram filmar na floresta, se encantaram, foram tocados por ela e saíram de lá dispostos a "fazer alguma coisa". E esse "fazer alguma coisa" é tão inspirador que movimenta pessoas nas mais variadas direções em benefício de uma única estrada, um único caminho, que é a preservação de um dos maiores patrimônios da humanidade.

Tem gente que precisa ir até lá para sentir. Tem gente que sente sem ir.

Fico muito feliz quando vejo que não estou sozinha, que não estamos. Eu tenho esse blog, minhas colunas na revista Ragga, faço minhas reportagens por aí. Eles são atores, estão usando a imagem para algo muito produtivo para a sociedade. Você está lendo isso aqui, outro faz mais coisas acolá...e assim vamos levando.

A luta pela Amazônia parece uma luta muda quando se percebe que o poder do Estado se resume à ausência de governança. De vez em quando alguém levanta uma bandeira a favor da floresta, mas o desmatamento continua aumentando, os grileiros atuando etc. Porém, meus caros, não nos deixemos enganar...a luta parece muda, mas ela não é. Tem voz que é capaz de ecoar até onde nem imaginamos. A floresta tem voz. Além da própria, manifestada pelo barulho de suas cachoeiras, do ploft quando a chuva toca as folhas das árvores, do ar soprando zummmmm e do lindo canto de milhares de pássaros, a Amazônia ainda conta com o canto de uma sub-espécie de Capitães do Mato, nós mesmos, quando decidimos que não queremos assistir à sua destruição na mais completa e mórbida passividade.

Fico feliz em ver gente lutando, fico feliz quando me lembro da profecia daquela sábia senhora nativa americana quando disse que chegaria o tempo dos guerreiros do arco-íris que renasceriam na Terra para defendê-la de pessoas como nós mesmos. Falando nisso, muito me alegro em dizer aqui que o Greenpeace, que trabalha pelo verde de forma pacífica (green+peace), finalmente conseguiu uma árvore derrubada dentro de uma área onde houve queimada ilegal para dar início à exposição que vai rodar o Brasil. Depois de cruzar o país - saíram do Amazonas -, seus guerreiros vão levar a destruição da Amazônia para quem não vai até lá ver a coisa de perto, seja por falta de querer ou de oportunidade.

Vai doer, uma linda árvore morta descaradamente por falta da tal governança dá vergonha e dói de ver, mas por outro lado causa o chacoalhão necessário para o despertar. Essa árvore morreu? Não. Ela continuará viva na memória e no coração de quem a vir, porque há de inspirar muitos corações a tornarem-se novos fasanos, novas torlonis, novos capitães, novos guerreiros, novos eu e você.

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Amazônia para Sempre: assine o manifesto, vamos pressionar o governo.
Greenpeace: Rio e Sampa, logo mais. No site, faça parte também de outro manifesto.

Save the planet!

24.10.07

pega fogo aldeia dos enawene-nawe

Uma faísca foi parar na palha seca. Bastou para que, em 15 minutos, as 12 casas da aldeia dos Enawene-nawe pegassem fogo e desaparecessem. Perderam tudo: a casa, a comida, os utensílios de cozinha, os colares, cocares, redes que tinham para dormir. Em fatídicos 15 minutos, 500 pessoas ficaram sem abrigo e passaram a dormir ao relento com suas crianças.

No momento do incêndio, que aconteceu há uma semana, Juliana, uma amiga da Opan (Operação Amazônia Nativa), estava por lá e me contou detalhes por telefone, da cidade de Brasnorte (MT), assim que chegou da aldeia. "Foi impressionante e tudo queimou muito rápido. Eles ficaram tristes, é claro!". Quando perguntei como estavam encarando esta tragédia, ela me respondeu: "Eles enxergam tudo com os olhos da simplicidade, não complicam como a gente. Pra eles pegou fogo. Se o fogo queimou tudo - dizem -, vamos trabalhar de novo e reconstruir". Que lição...

A Opan está dando a maior força para eles, como sempre. Por isso, disponibilizou a conta corrente para quem quiser ajudar. Eles vão receber o que for doado e comprar panelas, utensílios, comida, redes e combustível para os Enawene (eles usam rabetas para subir e descer quilômetros de rio).

Para quem não se lembra, em agosto noticiei aqui - e a imprensa de todo o país falou disso também - que o Greenpeace e a imprensa francesa foram expulsos da cidade de Juína (MT) por fazendeiros quando tentavam visitar, justamente, a tribo dos Enawene.

Na ocasião, os Enawene sofreram ameaças destes mesmos donos de terras porque suas fazendas estão em território considerado sagrado pela tribo. Disputam a terra na justiça. Há um conflito territorial. Como se não bastasse, a aldeia deles pegou fogo por causa de uma fagulha na palha seca. Neste momento, enquanto você lê esta notícia, eles estão dando duro para reconstruir tudo de novo.

Vamos ajudar?


HSBC Bank Brasil S.A.
Agência: 0233
Conta Corrente: 13003 93
Código SWIFT:. BCBBBRPR

Em nome de:

OPERAÇÃO AMAZÔNIA NATIVA - OPAN
CNPJ: 93.017.325/0001-68


Save the planet!

17.10.07

governo federal apóia madeireiros. xô greenpeace?!

Desde ontem (16), oito ativistas do Greenpeace estão cercados por 300 madeireiros no município de Castelo dos Sonhos, no oeste do Pará. Com a autorização do Ibama, a organização retirou uma castanheira queimada dentro de uma área pública. Atenção, pois temos aí dois flagrantes de ilegalidade. Por lei federal, é proibido derrubar ou queimar castanheiras no Brasil, assim como desmatar em terra pública. A árvore seria levada para São Paulo e Rio de Janeiro como parte da exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague essa Idéia", com o objetivo de mostrar de perto às pessoas a destruição da floresta.
Ao desconfiar da ação, madeireiros rapidamente se organizaram e cercaram o caminhão. Por medida de segurança, a equipe se refugiou dentro da base do Ibama. Do lado de fora, centenas de pessoas exaltadas aguardavam e vociferavam ameaças munidos de oito caminhões, 10 caminhonetes e mais de 15 motos.
Diante da situação, no início da noite, o tenente-coronel Dovanin Ferraz Camargo Jr., de Itaituba, informou que não permitiria a permanência do grupo na base do Ibama durante a noite para garantir a segurança do local. Para o sr. Dovanin, quem representa perigo à sociedade são os ativistas do Greenpeace.
Como se não bastasse, hoje pela manhã Basileu Margarido, presidente do Ibama, revogou a decisão que havia dado e afirmou que a árvore não poderá mais ser retirada da cidade. Ou seja, voltou atrás da própria decisão. O governo federal cedeu à pressão dos madeireiros. Em nome do que? De quem? Por que?
Todos os dias, centenas de árvores da floresta amazônica são retiradas na cara do Ibama e do governo federal. Cerca de 90% do desmatamento nesta região é ilegal. Agora, quando o Greenpeace resolve fazer, dentro da lei, a retirada de uma única árvore com a finalidade educativa de instruir a sociedade sobre a destruição da Amazônia, floresta importante para a humanidade, além de sofrer ameaças, ainda assiste a revogação de um direito que possuía legalmente, para a alegria dos madeireiros.
Falando em alegria, neste momento a tora da castanheira está em poder dos madeireiros em plena praça pública, onde exigem de dois ativistas um pedido de perdão. Perdão por que? O que o Greenpeace fez errado?
Agir de forma ilegal é muito mais fácil neste país. Agir dentro da lei que é complicado. Alguma coisa está fora da ordem. Onde vamos parar?
Save the planet!