Desde ontem (16), oito ativistas do Greenpeace estão cercados por 300 madeireiros no município de Castelo dos Sonhos, no oeste do Pará. Com a autorização do Ibama, a organização retirou uma castanheira queimada dentro de uma área pública. Atenção, pois temos aí dois flagrantes de ilegalidade. Por lei federal, é proibido derrubar ou queimar castanheiras no Brasil, assim como desmatar em terra pública. A árvore seria levada para São Paulo e Rio de Janeiro como parte da exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague essa Idéia", com o objetivo de mostrar de perto às pessoas a destruição da floresta.
Ao desconfiar da ação, madeireiros rapidamente se organizaram e cercaram o caminhão. Por medida de segurança, a equipe se refugiou dentro da base do Ibama. Do lado de fora, centenas de pessoas exaltadas aguardavam e vociferavam ameaças munidos de oito caminhões, 10 caminhonetes e mais de 15 motos.
Diante da situação, no início da noite, o tenente-coronel Dovanin Ferraz Camargo Jr., de Itaituba, informou que não permitiria a permanência do grupo na base do Ibama durante a noite para garantir a segurança do local. Para o sr. Dovanin, quem representa perigo à sociedade são os ativistas do Greenpeace.
Como se não bastasse, hoje pela manhã Basileu Margarido, presidente do Ibama, revogou a decisão que havia dado e afirmou que a árvore não poderá mais ser retirada da cidade. Ou seja, voltou atrás da própria decisão. O governo federal cedeu à pressão dos madeireiros. Em nome do que? De quem? Por que?
Todos os dias, centenas de árvores da floresta amazônica são retiradas na cara do Ibama e do governo federal. Cerca de 90% do desmatamento nesta região é ilegal. Agora, quando o Greenpeace resolve fazer, dentro da lei, a retirada de uma única árvore com a finalidade educativa de instruir a sociedade sobre a destruição da Amazônia, floresta importante para a humanidade, além de sofrer ameaças, ainda assiste a revogação de um direito que possuía legalmente, para a alegria dos madeireiros.
Falando em alegria, neste momento a tora da castanheira está em poder dos madeireiros em plena praça pública, onde exigem de dois ativistas um pedido de perdão. Perdão por que? O que o Greenpeace fez errado?
Agir de forma ilegal é muito mais fácil neste país. Agir dentro da lei que é complicado. Alguma coisa está fora da ordem. Onde vamos parar?
Save the planet!
17.10.07
5.10.07
enquanto a fiscalização não vem a mata se vai
Foto da RDS, tirada pelo Zeca
Fiz uma matéria para O Eco sobre a falta de fiscalização na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no Amazonas. Assim como acontece em outras unidades de conservação, familias endinheiradas e políticos entram lá de preferência em feriados prolongados e praticam a chamada caça esportiva. A prática é, óbvio, completamente ilegal.
O Ipaam, órgão responsável pela fiscalização, nunca autuou ninguém. Isso acontece há 30 anos e ainda não deu tempo de pegar ninguém em flagrante, olha só que coisa. Mais 30 anos de atraso e a Amazônia vira savana.
O Ipaam tem 9 pessoas (!!!!!!!!!!) para fiscalizar 62 cidades do Estado do Amazonas inteiro.
Enquanto isso, o Lula viaja o mundo, investe em usina nuclear, o Renan é absolvido, os ministros do STF passam receber 25 mil reais de salário...
QUE VERGONHAAAAA!!!!!!
Bom...
Eis a matéria, meus caros.
Save the planet!
pequim está em cuiabá ou cuiabá está em pequim?

Em Cuiabá (MT), o ar é seco, raspa na garganta. O calor te possui aos poucos, você não acha que está derretendo porque a umidade do ar é ínfima. Por isso, não vê sinal de suor. Estufa. Estufa sufocante. Sede. Olha, leitor, é uma luta. E nem te conto que grande parte da resposta para este fato está nos desmatamentos que já queimaram boa parte do Mato Grosso.
Andreia Fanzeres, repórter do site O Eco e autora da foto aí de cima, descreve como é respirar em Cuiabá.
"Há pelo menos duas semanas não faz sol em Cuiabá, onde a fumaça das queimadas esconde o céu, os prédios da cidade, deixa olhos ardidos e cabelos fedorentos. A umidade do ar extremamente baixa, que beirou os 12% no início de setembro, o calorão de quase 40 graus e a ausência de chuvas continuam sendo perigosos elementos que a qualquer momento podem criar novos focos de incêndio". **
A gente fala, fala, fala da China, mas uma parte bem parecida da poluída e caótica Pequim está aqui, no país tropical abençoado por Deus, bonito por natureza e...
detonado por homens. Parabéns aos assassinos de nosso o2.
Save the planet!
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