14.11.08

o que é meio ambiente?

* artigo de Adalberto Wodianer Marcondes. O título original é "A reinvenção do meio ambiente. Ou, o que é meio ambiente!"

O que é meio ambiente? Esta pergunta tem milhares de respostas, dependendo de quem for o alvo da inquisição. Muitas instituições, empresas, entidades, ONGs e governos têm definições sobre isto. Mas algumas delas responde o que é o SEU ambiente?

O conceito de MEU AMBIENTE pode, à primeira vista, parecer egoísta, mas é uma das maneiras mais eficientes de se desencadear processos realmente efetivos de transformações importantes em comportamentos relacionados ao meio ambiente.

O MEU AMBIENTE é o espaço no qual me movimento em meu cotidiano, os lugares que freqüento profissionalmente ou por lazer, os trajetos da minha vida, os recantos onde gosto de me esconder para pensar ou simplesmente me entregar ao “dolce fa niente”.

Uma grande parte da classe média global vive privilégios ambientais. Ou seja, o SEU AMBIENTE é constituído de benefícios que não são universais e que não se sustentam em termos de uma “distribuição ambiental eqüitativa”. Um exemplo: Tomar diariamente deliciosos banhos quentes de meia hora. Definitivamente não tem água para todo mundo. Será que não? A água é um dos bens ambientais mais escassos deste século, no entanto será que os problemas estão nos banhos de meia hora, que tanto prazer dão aos indivíduos fechados em SEUS AMBIENTES. Ou será que antes dos banhos se pode fazer algo realmente importante em relação à água e que não têm tanto ou nenhum impacto na qualidade de vida ambiental do indivíduo e ainda pode ajudar a distribuir melhor o recurso água.

Dentro do raciocínio do MEU AMBIENTE, vejamos:

1 – Posso atuar como indivíduo e ajudar a coibir as lavagens de calçadas com displicentes jatos de mangueira? Claro que sim, aquela água fica melhor no chuveiro.
2 – Posso exigir que o condomínio onde moro adote procedimentos de economia de água nas áreas comuns? Claro que sim!
3 – Posso adotar medidas dentro de casa para economizar água na lavagem de roupas, de louça, nas torneiras e vasos sanitários. De novo a resposta é sim!
4 – Posso exigir do poder público leis que individualizem o consumo de água em edifícios, para que as pessoas se preocupem mais com vazamentos? Mais uma vez, sim.
5 – Posso atuar para que minha coletividade utilize mais água de reuso? Sim, de novo!
6 – Posso agir para que as águas de vasos sanitários não se misturem a águas menos contaminadas na captação de esgoto da minha casa, gerando uma boa quantidade de água de reuso para lavar carros, calçadas e outras atividades que não exigem água tratada e potável? SIM!

E muitas outras atitudes podem ser tomadas sem nenhum reflexo direto em perda de conforto. Basta que enxerguemos em cada copo d’água tratada desperdiçada é um copo d’água a menos no nosso delicioso banho quente diário.

Esta visão de MEU AMBIENTE deve se estender a todo o cotidiano. Não é uma questão relacionada apenas à água, ao lixo, à energia ou a qualquer outro item de consumo. É claro que a relação entre ambiente e consumo é estrutural para a compreensão das questões relativas à contaminação e ao sobre-uso de recursos naturais. No entanto, há uma questão comportamental em relação ao ambiente, ao MEU AMBIENTE.

É necessária uma maior reflexão dos impactos de atitudes individuais sobre os AMBIENTES de CADA UM. Ou seja, todo mundo tem o MEU AMBIENTE. Nos incomodamos quando ele é de alguma forma “poluído”, mas não fazemos uma reflexão sobre quando agimos como EU POLUIDOR.

O EU POLUIDOR toca a buzina do carro a qualquer hora do dia ou da noite sem imaginar a distância que este som agudo vai atravessar e quantos “MEUS QUERIDOS AMBIENTES” ele vai poluir. Ou seja, o EU POLUIDOR não avalia os danos ambientais que provoca. Se este eu considerar reduzir drasticamente o uso da buzina, nenhum desconforto será criado para ele e certamente uma cidade mais silenciosa será um ganho ambiental importante.

O EU TRANSGRESSOR. Porque tenho de esperar o sinal verde se não há nenhum carro a vista? Talvez porque existam pedestres atravessando mais a frente, talvez porque as autoridades de trânsito trabalhem com conceitos coletivos de “ondas verdes”, talvez porque a cidade fique mais civilizada e segura se o EU TRANSGRESSOR conseguir respeitar regras mínimas de convivência social.

Existem pessoas agradabilíssimas que não conseguem agir como parte de um coletivo quando entram em seus carros. Não aceitam limites mínimos de convivência civilizada, apesar de, quando vestidos de pedestres, serem cidadãos acima de qualquer suspeita. O mito de que a atitude individual não é transformadora está tornando mais difícil a possibilidade de construção de um mundo melhor.

Esmagamos todos os dias os sonhos de “mudar o mundo”. É possível mudar sim! O mesmo EU TRANSGRESSOR, cidadão de classe média, quando viaja à Europa ou Estados Unidos, não se comporta da mesma maneira predatória de quando está em “SEU AMBIENTE”.

O conceito MEU AMBIENTE precisa ser estendido a todos os espaços públicos ou privados. É preciso que cada um compreenda os impactos de suas atitudes individuais sobre o AMBIENTE DO OUTRO e sobre seu próprio ambiente. Esta compreensão de que atitudes simples podem começar uma transformação importante quando multiplicadas pelo poder do exemplo tem um enorme poder transformador. Em síntese, se cada qual cuidar do “SEU AMBIENTE”, aumenta muito a possibilidade de termos um MEIO AMBIENTE muito mais saudável, agradável, com distribuição eqüitativa dos insumos naturais e ambientais, com mais segurança em coisas prosaicas, como o ir e vir etc.

* o autor é jornalista, editor da Agência Envolverde, editor no Brasil do Projeto Terramérica, coordenador da EcoMídias – Associação Brasileira de Mídias Ambientais e moderador da Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais.

Save the planet!

Um comentário:

Mariana Gabriela De Nadai disse...

Parabens pelo blog, coloquei nos meus favoritos e te convido para visitar o meu, tenho certeza que vai gostar http://biologiasemlimites.blogspot.com

Abraços... Mariana